segunda-feira, 21 de março de 2016

NO MUNDO DOS HOMENS-LOBO... UM CORDEIRO!

*por Henrique Martins da Silva.

Príncipe dos Lobos apresenta uma narrativa real, chocante e perversa no que tange o mundo das relações humanas. A trama se desenvolve a partir das aventuras e devaneios do personagem Robinson, primeiramente quando criança e depois na fase adulta. Trata-se de um jovem que advindo de uma situação miserável e com vários problemas, inclusive familiares, aprende a queimar as chamadas “pedras mágicas” como forma de sucumbir o sofrimento e talvez preencher o vazio da própria alma, pelo menos por alguns intervalos de tempo. Não é fácil, Robinson tem uma vida muito conturbada, “vive entre lobos” e é atormentado por fantasmas que são seus próprios medos, limitações e tragédias. É o retrato de um personagem vazio praticando o individualismo no caminho das pedras.  

Por intermédio de um traficante e cafetão, conhecido por Draco, conhece e se apaixona por uma prostituta chamada Beatriz que o faz mudar drasticamente, abandonando o vício. Como a raposa, ela é perspicaz – sabe jogar – o influencia dizendo: “As pedras valem muito dinheiro e você as queima, seu estúpido” (p.88). As pedras são preciosas, o recado de Beatriz fora entendido por “Smigol”: PRECIOSO! Robinson aprendeu ainda na escola uma dança diferente, o Breakstyle que despertou a simpatia de Draco, salvando-o da morte e do abismo existencial. É quase paradoxal – “o cordeiro DANÇA entre lobos”.  

A famosa expressão: “O homem é o lobo do homem”, utilizada por Thomas Hobbes no século XVII pode ser tensionada neste romance. A figura do lobo pode representar muitas coisas e, por isso, é apresentada de forma muito ampla no livro surpreendendo o leitor. É como se a palavra lobo, fosse uma expressão psicanalítica para lidar com a ausência, os medos e todo o mal banalizado e repreendido. Robinson descobrira através de Draco, que os lobos são temidos, pois carregam o semblante das ruas. Todavia, desde a infância já era cercado por lobos que o dilaceravam juntamente com sua mãe, Edileuza.

Neste ambiente insalubre de relações, afundado nas drogas e vivendo nas ruas, restava a Robinson ter ainda um pouco de dignidade, dominar seus medos, traçar objetivos e cumprir a promessa que fez à mãe de dar-lhe uma vida melhor. O cordeiro tem que legislar no mundo dos lobos para ser príncipe, ou melhor, Príncipe Lobo. As pedras que antes eram queimadas passam a ser vendidas – torna-se um negócio lucrativo, capitalista. A ideia de possuir Beatriz o incentivou, estava disposto a enfrentar até mesmo Draco, quem o acolheu. O Príncipe Lobo deveria ser respeitado e temido, mas isso não o torna um vencedor. Pelo contrário, talvez seja sua própria ruína, pois o cordeiro pode até acreditar que é um lobo, porém não deixa de ser um cordeiro.

Robinson é o protagonista, entretanto, Beatriz toma a cena. Ela procura nele se libertar de Draco e fugir para a França, onde irá lucrar mais com a prostituição. Embora ele procure nela o depositório de seus sentimentos e alívio para sua alma atormentada. Ora, o cordeiro realmente gostava dela – talvez ela representasse sua redenção. Robinson quer viver como um príncipe ao lado de sua princesa-meretriz. Mas isso não é tão fácil por causa dos obstáculos que aparecem. As pedras não são suficientes para diminuir sua agonia, seus desejos não têm limites e suas atitudes não medem as consequências. Ele está sem controle, joga o jogo de Beatriz – ela o seduz e o engana. O cordeiro fica entre o céu e o inferno – os lobos estão à espreita.

Beatriz, sagazmente, ensina tudo o que Robinson tem que fazer para que possam ficar juntos. O Príncipe Lobo agora está pronto, começa a caçada. Para alcançar seus objetivos está disposto a matar quem estiver em seu caminho e de sua pretendida. O cordeiro não é mais o mesmo, torna-se determinado, toma aspectos de um lobo e quer mostrar que pode ser um deles, ou melhor, o príncipe deles.

O romance de Rogério Prego é uma denúncia social, mostra que “os lobos” não estão somente nas ruas, podem estar mais perto do que se imagina, até dentro de nossa família. Esses lobos estão por toda a parte e se atracam na disputa por poder ou espaço. É um livro que questiona e confronta a imagem do que está além do bem e do mal, transmitida principalmente pelos veículos de comunicação. Não há soluções imediatas, pois um problema leva a outro e, por conseguinte, em direção a uma raiz muito mais profunda do que se imagina.

Nesse sentido, o autor foi bastante feliz em seu propósito, uma vez que não nos apresenta respostas prontas, mas sim um campo de possibilidades para que o leitor indague e tire suas próprias conclusões. Afinal, toda a obra é uma grande crítica social e comportamental. É um tipo de realismo fantástico que faz o leitor refletir e ensimesmar-se, pois querendo ou não, alguma parte da obra irá lhe despertar uma identificação ou familiarização pessoal. É um romance que vale a pena conferir. Está acima das expectativas que possam ser despertadas neste prefácio. Real, Intrigante, Envolvente! Só lendo para saber o que acontece com Robinson nessa aventura dantesca no mundo dos homens-lobo.


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sábado, 31 de outubro de 2015

TAC AU TAC (Olho por Olho)



É um prazer descobrir grandes relíquias ou tesouros na internet. Para quem curti ilustração é maravilhoso descobrir um programa francês como da ORTF chamada “TAC AU TAC” (Olho por Olho), que trouxe em 1960 um programa inovador e diferente de tudo o que já vi. Assistir ilustradores e cartunistas desenvolvendo com habilidade personagens ou situações propostas pelo diretor do programa. Parecia ser estranho oferecer ao público um programa que mostrava os artistas desenhando no ar, mas ninguém tinha pensado em transformá-lo em um jogo, uma competição entre artistas, assim, surgiu o programa “TAC AU TAC”.

Ponto de observação.
Cada episódio colocava frente a frente (ou Olho por Olho) um grupo de cartunistas, desde os mais famosos até os desconhecidos do público, para participarem de jogos totalmente improvisados. O programa levava horas para ser gravado, mas durava apenas cerca de 13 minutos. Uma edição ágil acompanhado pela narração do diretor (um escritor experiente), complementando o trabalho dos artistas e informando o espectador sobre as realizações dos convidados, descrevia o traço caracteristicos de cada um. Alguns participantes mais regulares era Claire Bretécher, Cardon, Franguim, Gebe, Marcel Gotlib, Piem, Peyo Morris e Rob, onde todos os trabalhos produzidos foram publicados com grande sucesso.

O programa “TAC AU TAC” ficou por 6 anos no ar, última transmissão foi em 1975 com os artistas Cardon, Gourmelin e Forest.

Jean Giraud (Moebius), Joe Kubert & Neal Adams – Tac au tac (30-9-1972)


Um estudo sem cenário, uma mesa e uma placa foram suficientes para os desenhos não perderem destaque. Em cada transmição um jogo destina-se, em muitos casos, o estilo praticado pelos surrealistas no início do século XX como um "cadáver esquisito". Um participante improvisa sobre um tema e o outro continua, mas vendo apenas uma parte.

Ao longo do tempo o programa passou de preto e branco para a cores, e novos artistas  se juntaram ao elenco. Forest, Bretécher, Moebius, Hugo Pratt Druillet formando uma nova geração que liderou o programa no ar. Ele também abriu a porta para outros países: o italiano Guido Crepax; o espanhol Esteban Maroto que também participou do programa  gravado em Nova York para acomodar artistas como Neal Adams e Joe Kubert.




Giraud (Moebius), Kubert & Adams -  (1972)




  Cardon, Gourmelin, Forest - (1975)

Forest, Druillet, Gigi, Franquin 

Hogarth, Buscema & Druillet - (1972) 

 

Isso é tudo pessoal!

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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

MULHERES NO UNIVERSO HQ.




Kelly Sue Deconnick e seus parceiros estão mudando a face de uma indústria que não vai deixar as mulheres de fora.

Falando para uma classe de aspirantes a escritores de quadrinhos reunidos em um salão de Baile, localizado na parte de trás de um clube de cavalheiros em Powell Street em São Francisco, Deconnick disse: "Eu odeio quando me perguntam: 'Como é ser uma escritora mulher de  quadrinhos?' Então, imaginei uma resposta sarcástica: ‘Bem, é eu sentar e digitar com a minha vagina, mas fico incomodada depois de um tempo’.  A noção de que  as mulheres são totalmente diferentes me enfurece. Foda-se essas pessoas ".

DeConnick é uma das mais bem sucedidas escritoras na indústria de HQ’s, sendo responsável pelo retorno dos leitores do sexo feminino. Escreveu três séries populares, estrelada por personagens femininas na Marvel: Capitão Marvel, o western Pretty Deadly e Bitch Planet, uma sátira sobre a prisão fora do “planeta” da mulher. Ela escreve apaixonadamente, dentro e fora da página, sobre o feminismo, a representação feminina, e da necessidade de mais mulheres criadoras de HQ’s.
 
DeConnick leva outra pergunta a classe na Powell Street; desta vez, é sobre sexismo na indústria de quadrinhos. Ela suspira e olha para baixo. "Ser uma mulher em uma indústria dominada por homens é uma merda, mas isso não é pior do que ser uma mulher no mundo", diz ela, de frente para a classe. "Meu conselho? Seja aterrorizante".

Em 2011, Steve Wacker, o vice-presidente de animação da Marvel Comics, propôs o relançamento do clássico da editora Ms. Marvel, com uma ressalva: a super-heroina, Carol Danvers, assumiria o nome do Capitão Marvel. Vários super-heróis têm vestido o macacão do Capitão Marvel ao longo dos anos, tanto homens como mulheres. Mas Wacker queria alguém mais resistente e mais simbólico: "Eu queria uma senhora Chuck Yeager", disse ele.

Wacker ofereceu o trabalho para DeConnick, que lançou uma nova série Ms. Marvel no início daquele ano. Dentro de uma hora, ela havia enviado uma dúzia de artigos sobre mulheres pilotos na Segunda Guerra Mundial. Ela também ofereceu sugestões para um novo traje. As botas anteriores de cano longo, maiô preto e luvas de ópera, eram datadas demais para DeConnick. "Esta é uma mulher com um passado militar, com um fundo feminista", disse DeConnick. "A idéia de que ela estaria voando por aí com seu traseiro pendurado para fora é ridículo."

A primeira edição da DeConnick para Capitão Marvel foi colocado à venda em julho de 2012. Historicamente, séries novas ou relançadas exigem um escritor, artista ou personagem para ter sucesso. DeConnick era relativamente desconhecida, Carol Danvers era um personagem menor no universo Marvel, e o artista do Capitão Marvel, Dexter Soy, nunca tinha feito uma grande série antes. "Ninguém tinha qualquer razão para acreditar que ele faria isso", disse DeConnick.

As vendas de Capitão Marvel são sólidos, mas lento em comparação com DC e maiores títulos da Marvel: cerca de 20.000 por semana, em comparação com 100.000 cópias de Amazing Spider-Man. Mas os fãs de Carol são ferozmente leais. Os fãs começaram a se referir a si mesmos como membros do Corpo de Carol, twittar fotos de si mesmos lendo os livros, vestindo camisetas ou fazendo tatuagens do Capitão Marvel. Uma mãe e filha começaram a Carol Corps Club, levantando o dinheiro para abrigos de gatos locais como uma homenagem ao gato de Carol Danvers. Outro grupo, a Carol Corps Fios Brigada, fizeram o merchandise do Capitão Marvel para os membros doentes da Carol Corps.

"Eu acho que isso tocou acidentalmente em uma verdadeira sede", disse DeConnick. "Você tem 20.000 leitores mensais ... no mercado de quadrinhos que não é muito, mas 19 mil deles têm tatuagens do personagem principal em seu braço. . . que é outra coisa. É uma base de fãs vocal, cometido, e de suporte. "

Os últimos 15 anos foram definidos pelo escritor Mark Millar, cujos livros Comic Wanted, Kick-Ass e O Serviço Secreto foram todos adaptados para filmes de longa metragem, chama de "a legitimação dos quadrinhos através de Hollywood." Franchises de filmes do Spiderman e a maciça Marvel Cinematic Universe para TV The Walking Dead ajudaram os quadrinhos a re-emergirem como uma força dominante na cultura pop. É o interesse renovado aos quadrinhos, mais evidente do que as vendas de livros em si.
 
Muitos destes novos leitores são mulheres. Em 2014, as mulheres entre as idades de 17 e 33 anos foram o público que mais cresceu. De acordo com o historiador de quadrinhos Tim Hanley, o número de HQ’s lideradas pelo sexo feminino dobrou nos últimos cinco anos, com os fãs que devoram heroínas e tiram selfie de Batgirl, a nova Mulher Thor (que, depois de um período inicial de fanboy angústiante, está vendendo mais que o último livro em quadrinhos do Thor em 30 por cento), e Spider-Gwen, uma versão do primeiro amor de Peter Parker, Gwen Stacy, que é mordida por uma aranha radioativa e se torna a Mulher-Aranha. Há até mesmo um nova equipe feminina em Avengers, chamado A-Force.

Esses livros, e os fenômenos associados, como a Carol Corps, continuam a provar a existência de uma base de fãs do sexo feminino ardente com os quadrinhos. Mas a legitimação dos quadrinhos através de Hollywood ainda tem grande parte de estender a personagens femininas. Um filme independente para Mulher-Maravilha e uma série de TV Supergirl estão ambos a caminho, mas um filme Capitão Marvel planejado foi adiada, e Black Widow da Marvel não apenas falta o seu próprio filme, mas era alvo de comentários sexistas de vários Avengers estrelas no início deste ano. "Eu acho que é interessante termos um guaxinim falando, antes temos uma liderança feminina em um filme de quadrinhos", diz Millar.

DeConnick provavelmente fará parte da mudança. Ela e seu marido, Matt Fritchman (mais conhecido por seu pseudônimo, Matt Fraction), administram a empresa Milkfed Gênios do Crime, e assinaram um contrato de desenvolvimento com a Universal Television no início deste ano para adaptação das suas HQ’s. Seu trabalho com o Capitão Marvel vai acabar no final deste ano, em parte para permitir que ela tenha mais tempo para se concentrar em projetos de televisão. Enquanto seu trabalho é creditado por empurrar a Marvel em direção a um filme Capitão Marvel, ela também permanece cética sobre o compromisso da Hollywood aos heróis do sexo feminino: "Eu vou acreditar nesses filmes quando estiverem definitivamente na tela."



As mulheres nem sempre foram tão raras no universo HQ , houve uma chamada "Idade de Ouro", que durou desde o final dos anos 30 ao início dos anos 50, eles foram lidos por homens e mulheres em números quase iguais. Mas até recentemente, DeConnick e sua amiga Gail Simone, uma escritora legendária da Mulher-Maravilha e Batgirl, entre outros, foram algumas das poucas mulheres em convenções de quadrinhos. Ambas ainda enfrentam quantidades enormes de respostas sexistas ao seu trabalho.

Deconnick começou a escrever Bitch Planet como uma resposta direta às pessoas que reclamam sobre a nova direção do Capitão Marvel, quando ela assumiu a série. "Eu não era como uma escritora de panfletos feministas, você sabe. Eu estava escrevendo histórias sobre essa senhora que dispara raios de suas mãos. Mas eu tive a ousadia de ter amizades femininas inter-geracionais e um elenco predominantemente feminino e, você sabe, de vez em quando, uma piada. Isso me arrepiou e eu pensei: Bem, se é isso que vamos falar, então vamos falar sobre isso ".



Não são apenas as mulheres que estão cada vez mais representadas em quadrinhos. Spider-Man é agora um garoto latino-americano negro chamado Miles Morales. Batgirl nos quadrinhos escritos por Simone vem introduzindo Alysia Yeoh, o primeiro personagem transexual em um livro super-herói mainstream. Ainda este ano, DC irá publicar uma nova série estrelada por um super-herói gay Midnighter. Um dos melhores vendedores digitais da Marvel é a nova série Ms. Marvel, estrelado por uma adolescente paquistanês-americana de 16 anos, de New Jersey chamada Kamala Khan. "Dez anos atrás, se você me dissesse que eu seria co-criadora de uma série sobre um super-herói que passou a ser uma menina muçulmana, eu teria engasgado com meu riso", diz Sana Amanat, diretora de conteúdo e desenvolvimento de personagens da Marvel.


No início deste ano, artistas de rua em San Francisco começaram a cobrir os anúncios anti-Islam nos ônibus da cidade com as imagens de Kamala, ao lado de slogans pedindo a liberdade de expressão e um fim ao racismo. Não é só uma indústria que está mudando, mas a própria cultura como um todo."

"Há um grande número de pessoas que cresceram cansadas de ser ignoradas, deixadas de lado, ou relegadas a algum tipo de papel de apoio", diz Thomas Fogg, um membro do 34 anos da Carol Corps de Chattanooga, Tennessee. "Como um pai de uma menina, eu gosto de ser capaz de mostrar outras mulheres a ela."

William Evans, que edita o site blacknerdproblems.com, acrescentou: " Há ainda muitas pessoas que não entendem o poder da representação, e vendo um reflexo de si mesmas nas histórias e entretenimento, se entregam. Quando uma mulher se torna Thor ou um personagem negro torna-se o Capitão América, uma nova parte do público pára de repente de se sentir como forasteiros em um meio que amam. "

DeConnick e a empresa de Fritchman, Milkfed Gênios do Crime, permite-lhes controle sobre seu trabalho criativo. DeConnick mantém uma exaustiva programação diária, começa à escrever das 3 da manhã até 05h30, cumpre com seu dever maternal até que as crianças saiam para a escola, de volta à escrita até 16:00, então, quando as crianças voltam da escola, é o jantar, trabalhos de casa, lições de violino e um tempo para a família. Ela vai dormir às 20:00.

Algum tempo atrás, DeConnick trabalhou com um amigo artista de HQ’s para projetar a tatuagem do gigante e elegante Kraken, atualmente em suas Costas — um lembrete de seu processo artístico único e às vezes desgastante. “Toda vez, quando começo a trabalhar em um novo projeto, fico convencida de que sou uma fraude horrível e que eu nunca vou conseguir retirar essa figuração... então, três dias depois, eu me ergo desse lugar escuro com um roteiro pronto. Este é o processo”.

Embora, agora ela esteja deixando o Capitão Marvel para trás, para se concentrar em seu trabalho na televisão, bem como com Bitch Planet e Pretty Deadly, DeConnick sabe que  o personagem vai ficar com ela. "Carol viveu em minha cabeça nos últimos anos. Ela me ensinou a me manter firme ", disse ela. "Eu tenho medo de falhar, medo de atingir o pico. Mas quem eu seria se eu deixar que me parem, certo? Como é cafona dizer, mas seria como se ela não tivesse me ensinado nada ".

Simone, que está atualmente trabalhando em uma série de títulos de quadrinhos para DC e Vertigo, bem como projetos de cinema e televisão, sem aviso prévio, não está preocupado com o futuro de DeConnick. "Quando eu estava sonhando como seria o futuro das mulheres nos quadrinhos, eu estava sonhando com ela. Eu só não sabia disso ainda ", disse ela.


Texto original por  Laura A. Parker

Tradução de Rogério Prego.