“LOTERIA DA BABILÔNIA”



Olá, queridos leitores!


Quero dividir com vocês o Livro "Loteria da Babilônia: Em busca da aventura particular", é muito interessante e convidativa para conhecer os livros desse grande escritor Goiano:

Confesso que me dá muita satisfação pessoal em lhes apresentar este livro que me provocou profundas reflexões e, me fez rir! Foi uma leitura muito prazerosa!

O romance de Rogério Prego, narrado na primeira pessoa, nos leva às observações de um personagem jovem, as quais nos envolvem em sua jornada em busca da aventura particular, e percebendo que a sociedade não passa de uma loteria tecida na Torre de Babel, faz o seu Jogo!

Para envolver ainda mais o leitor, de forma poética, o autor insere com maestria letras de música na narrativa, criando ambientes que facilitam o envolvimento e a emoção do leitor, já praticado em seu primeiro romance, Príncipe dos Lobos. Com essa faculdade, o leitor pode experimentar o sentimento da personagem; transmite a noção psicológica e o meio expresso; e principalmente, enfatiza o momento vivido pelo protagonista, a passagem da história e a crítica.

O termo Loteria da Babilônia, utilizado no livro, refere-se às pessoas de diferentes classes sociais, idades ou gênero que partem pra sua aventura particular, escolhendo seu caminho, fazendo seu próprio jogo da vida. Inspirado nos textos de Jorge Luiz Borges: A Loteria em Babilônia; Biblioteca de Babel; e na letra Loteria da Babilônia de Raul Seixas e Paulo Coelho. Somando-se às suas influencias de Miguel Jorge, José J. Veiga e Murilo Rubião nos traz uma narrativa calcada no Realismo Fantástico, de realidades psicológicas, mostrando o estado de consciência do protagonista. E na brincadeira de se mostrar ocultando, vamos conhecer realmente o protagonista, apenas no final da história.

Nestor parte em busca de sua aventura particular como fuga dos sistemas opressores da sociedade. Observador como o Nestor homérico, encontra semelhanças e descobre profundas diferenças sociais na sociedade. E principalmente, sendo inteligente em suas opiniões sinceras, vai conquistando as pessoas certas, uma delas é o Seu Martinho um senhor de 67 anos,...

Um amigo antigo lavrador/
Que te ensinou a ter/
Do bom e do melhor!”...

Seu Martinho é uma pessoa simples, porém, grande artista plástico, que acolhe Nestor em sua casa. Por meio de seu Martinho, Nestor conhece a rica Família Vascón e, sua matriarca, a Vovó Marta, uma sinistra figura que o impulsiona a querer encontrar o seu próprio caminho. É a partir daí que o personagem Nestor nos apresentará a aventura particular de cada personagem, dando voz a outros.

Em seu primeiro romance, Rogério Prego nos apresentou o personagem Robinson, um menino pobre que sofre com as opressões dentro e fora de casa. Perdendo a sua qualidade de indivíduo e impedido de se identificar só lhe restando à marginalização. À medida que Robinson se torna adulto, age sem saber mediar o que há em sua volta. A opressão vivida o assombra e inconscientemente percebia que o pesado fardo que recaía sobre alguns se tornava na prosperidade de outros.

Nestor, também é pobre e desempregado, mas sempre consciente, nunca perde sua qualidade de indivíduo. Porém, ocupando um papel à margem da sociedade, ele não chega a ser o promotor de uma revolução social, talvez fosse o seu arauto, mas como Robinson, é impedido de se identificar... Só lhe restará a loucura?...

Em suma, Rogério Prego nos apresenta em Loteria da Babilônia, personagens profundamente delineados, cujas alegrias e sofrimentos nos provocam profunda reflexão. Como na grande sátira de Swift, onde pretendeu ridicularizar os homens, descrevendo as fantásticas aventuras do Dr. Gulliver em terras distantes, Rogério Prego, a partir do point de vue do Nestor, elenca diferentes homens e suas aventuras ou desventuras particulares, a começar pelos “Homenzinhos de Papel- homens que trabalham em meios burocráticos. O trecho abaixo mostra um pouco da rotina destes homenzinhos de papel:

“Cacofonia de telefones a tocar, o teclado do computador sendo magoado e com carimbos carimbando folhas a coreografia envolvia as canetas valsando sobre laudas... Carimbo, assinaturas, petições. Entre perfurar papéis e montar calhamaços de processos, cacofonia, um cafezinho”.  (p.60).

E as milhares de vidas que passam pelos meios burocráticos da sociedade e seus órgãos públicos, assim como nesta passagem:

“Imagine quantos milhares de pessoas não têm suas aventuras barradas ali...?! Imaginei que cada folha era uma víscera e que cada processo formava uma pessoa, e a pasta contendo inúmeros destes, eram naves paradas esperando autorização para decolar”. (p. 61).

com “Os Homenzinhos de Areia”, o autor critica a classe média — o pequeno-burguês que sonha em ter título de doutor e vida de aristocrata. O relata como um homenzinho peculiar, se achando numa bolha, tenta manter suas cabeças entre os ombros; fazendo a elite rir de si mesma. Tomam a verdade para si e disputando a “gavetinha dos conceitos”, cada um quer provar que sabe mais, nas escalas mais altas que suas cordas vocais podem atingir.

Diferente de “Os Homens de Verdade”, o retrato do trabalhador que sonha em crescer e se tornar em um empresário de sucesso. Para tanto, consomem milhares de revistas e livros que pretende ensiná-los como chegar a este nível. São Homens e Mulheres. Jovens, adultos, ou velhos. Levantam, empurram e arrastam a produção de uma cidade inteira como formigas. E imitando os gestos moralistas de seus patrões, esperam receber algum tipo de respeito em troca.

Agora, “O Homem Adulto e seus Cifrões” é o retrato do grande empresário de negócios arquimilionários. A verdadeira imagem do herói aquileu, viril e valente que cumpre com todas as etapas da jornada ao topo da Loteria. O Senhor Vascón representa este arquétipo na narrativa, exercendo o controle da grande Torre de Babel, a sociedade — pelo menos na imaginação fantástica do Nestor!

No decorrer da narrativa, vamos encontrando inúmeras citações de livros e autores, como se fosse um convite para conhecermos a literatura praticada aqui e no exterior. Contudo, Loteria da Babilônia é um convite para refletirmos:

       1)   Será que existe realmente uma aventura particular?!

     2)   Será que me identifico com algum homenzinho?

   Então, caro leitor, eu desejo que sua leitura de “LOTERIA DA BABILÔNIA” lhe provoque profundas reflexões e, que você se envolva, tanto quanto eu me envolvi!






Título: LOTERIA DA BABILÔNIA
Autor: ROGÉRIO PREGO
Páginas: 210

Compre em: Clube de Autores

Comentários